quinta-feira, 19 de outubro de 2017

“"Façam o favor de ser felizes!” ― Raúl Solnado

Façam o favor de ser felizes! 

19 de outubro de 1929- 8 de agosto de 2009 (79 anos)
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Texto escrito por Nádia Piazza, presidente da Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande e mãe de Luís Fernando, cinco anos, morto na EN 236-1



diz-se que a net não esquece, mas quantas vezes é difícil encontrar um texto. Aqui fica este para não esquecermos.
Dia 20 de junho de 2017
Seus passos mansinhos fazem-se sentir no assoalho do meu quarto como de costume. A mesma hora de sempre. 7:30 da manhã. Desperto sobressaltada a chamar por ele. “Luís, filho?!”
Olho para o corredor a sua espera, ainda não desperta. Nada.
Sonharei sempre com isso.
Foi a minha primeira noite na nossa casa desde o dia 17 de junho e a sua ausência me povoa.
São passos, brinquedos ruidosos, interjeições e interrogações e o som da sua voz de canarinho a trautear uma qualquer melodia aprendida na escola de música.
Mas é da sua mão pequena de que mais sinto falta. Chegava de mansinho no seu corpo esguio e segurava-me a mão com ternura sem eu dar por ele.
Chamava-se Luís Fernando e era feliz.
Luís do avó brasileiro, Fernando do pai e do avó português e era um menino do mundo. Português, brasileiro e italiano. A mãe das Américas, o pai de Moçambique e o menino de Portugal. São as crianças do futuro, cidadãos do mundo e filhos da sua terra.
O Luís foi mais uma vítima do incêndio do dia 17 de junho e sem ele começa a Grande Tristeza.
Não foi o único. Oito crianças sucumbiram nessa noite maldita em que o inferno fez-se sentir na terra e os Homens emudeceram-se num lugar que se chama Portugal.
Não foi criado para ser um príncipe mas sim livre. Seria médico, filósofo ou simplesmente trapalhão. Era menor que a sua idade e maior que o mundo que o aguardava. Um mundo que não o mereceu.
Com ele findou uma geração de Mendes Silva. Já não haverá sucessão. Morreu o menino, morreu um nome. Uma geração de portugueses que foi apagada dos registos.
Essa solidão que me assola a alma nunca será preenchida. Filhos são filhos. Únicos na sua individualidade. Queremo-los, nutrimo-los, investimos, fazemos opções de vida tudo a sua volta e com um sorriso nos lábios. De repente, todo um projeto de vida é-nos roubado. A promessa de uma vida. E de forma tão vil. Até na morte deveria haver dignidade.
Já não o levarei pela mão à escola primária. O seu primeiro ano. Não mais assistirei às suas audições de música. Não lhe ensinarei o quão misteriosas são as raparigas, porque sim. Não lhe saberei os dilemas da vida. Não lhe segurarei os filhos que os queria. “Muitos, mãe”. Talvez por ser filho único, talvez por se sentir um “menino sortudo”, dizia.
Já anunciava o mano, sem saber que o teria. Era vidente por vezes. Era inclusivo, empático e terno. E era sempre o Hulk. Era tanta coisa... Agora, era.
 Calcada na Grande Tristeza nasceu outra mulher. Uma mulher que não sabia existir. E com ela, uma causa. A causa de toda a pessoa marcada pela dor que extravasa, incontida: a defesa da Dignidade dos que pereceram e a sua Justiça, a construção de um Futuro para os que virão e o tomar de Consciência de que não nos podemos calar!

domingo, 8 de outubro de 2017

maria filomena mónica (1943-)_livro viagens

                                                                  Viagens 1994-2008

"Rodeada de silêncio, a paz voltou ao meu quotidiano. Foi agradável escrever sobre o que vi, ouvi e senti."publicado em 2009.




uma outra viagem é o seu livro auto biográfico BI 10.ª edição revista e aumentada, desde os tempos em que frequentava no verão a praia da Conceição em cascais e percebeu que daí nada vinha e nada recebia que lhe enche-se alma. Retrato de uma vida, uma família e um país, entre 1902, data do nascimento da sua avó, e 1976, o ano em que, após uma estadia no estrangeiro, regressou a Portugal.”
Não quis viver como a mãe, não quer morrer como a mãe, electrão livre de uma família bem portuguesa, quer ela o queira ou não.

  
deu uma entrevista ao jornal observador, do qual transcrevo:

"Maria Filomena Mónica acaba de reeditar o seu livro de memórias, Bilhete de Identidade, com um novo prefácio da autora e um novo capítulo – “Diários de uma Adolescente” – com textos de dois diários escritos entre os 14 e 16 anos. Sentada no meio da redação do Observador, onde respondeu a perguntas de José Manuel Fernandes, dos jornalistas e de leitores, aceitou falar sobre tudo. 

 Olhe como é que eu evoluí, de onde vim, por onde atravessei e como acabei há alguns anos. Ainda não acabei totalmente. Principalmente, queria que isto fosse — por esta ordem — um livro bem escrito e que descrevesse uma época, como era ser rapariga nos anos 40 e, finalmente, as peripécias da minha vida amorosa, que fazem parte de mim. Explicar o que me tinha acontecido. Episódios muito dolorosos, como foi a minha primeira separação — não me separei para ir para Oxford, foi dois anos antes –, uma separação numa sociedade muito conservadora, em 1969.

Não penso muito na morte. Claro que gostava de viver mais cinco anos. Mas não gostava de viver até aos 100 anos porque observei coisas horríveis. A minha mãe morreu com Alzheimer. Não gostava de morrer como ela morreu. Não quero prolongar a vida. Mas acho que ainda estou com capacidade de trabalhar. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o facto de estar perto da morte — ou estar tão perto quanto a ciência sabe, que sabe pouco — deu-me imensa vontade de trabalhar. Deu-me mais prazer trabalhar agora.Quantos livros já escreveu desde que está doente? Dois. Um por ano.
 

No final, confessou: “Continuo a gostar mais de me dar com pessoas inteligentes do que com burros, isso é verdade, portanto sou um bocadinho snob intelectual. Mas, como eu não me dou com ninguém… Já não sei o que sou”.

transcrevo o que diz este bloger:

SEGUNDA-FEIRA, NOVEMBRO 19, 2007

Vasco Pulido Valente vs Maria Filomena Mónica vs Miguel Sousa Tavares vs Constança Cunha e Sá vs Clara Ferreira Alves

Todos se têm em demasiada boa conta. Estrela douradas num Portugal que obviamente não os merece. Nenhum deles quer a vida nos jornais. Nenhum deles quer o ego na rua à mercê do juízo de um qualquer. Qualquer um deles acha que está acima dos outros e, mais ainda, acima de todos nós. E, no entanto, nenhum resiste a colocar a vida nas páginas a que tem acesso. E a torturar-nos com isso, como se isso realmente nos interessasse. A nós, o país que obviamente não está à altura deles.
O circuito é delicioso. Ei-lo:
 
Vasco Pulido Valente (VPV) foi casado com Maria Filomena Mónica, Mena Mónica para ele (MM). Depois trocou-a por Constança Cunha e Sá (CCS) com quem está agora "bem casado". Está bem de ver, elas, as mulheres, MM e CCS odeiam-se. E já o escreveram nos jornais.
VPV, a convite de Miguel Esteves Cardoso, escreveu um livro de memórias nos anos 90 ["Retratos e auto-retratos"] . Quando MM decidiu, ela própria, escrever o seu BI [Autobiografia, 2005], ele, homem do seu passado, não achou mal. Até ler a coisa. Não gostou nada de se ver ali retratado e lá se foi uma amizade de 35 anos! Ela contou isto em várias entrevistas. Ele, este sábado, no Expresso, também.

Não é fácil perceber o que os distingue da menoridade do país. Mas a novela há-de continuar e, talvez, um dia, consigamos perceber...


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Quem se lembrará


Quem se lembrará, hoje, de
que lavar as mãos antes das refeições era tido como
uma prática judaizante? Ou quem comer um prato de açorda ou de
almôndegas,
ou as célebres alheiras de Mirandela, ou as amêndoas da Torre de
Moncorvo, que está a repetir gestos alimentares ou
medicinais que
lhe vieram das presenças do Islão e do Judaísmo, em
Portugal?

in http://www.terrasquentes.com.pt/content.aspx?id=41

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Lugares Abandonados de Portugal, Vanessa Fidalgo - Livro - WOOK


Os lugares abandonados são uma viagem fascinante ao passado. Saber o que foi aquele lugar, quem ali viveu, o que aconteceu e porquê, perceber o que restou, de tudo isso nos falam os escombros ou as paredes que se mantiveram de pé”, lê-se na contracapa do novo livro da jornalista Vanessa Fidalgo, Lugares Abandonados de Portugal.


Sinopse
É impossível passar pela Quinta do Comandante, em Oliveira de Azeméis, e ficar indiferente ao edifício em avançado estado de degradação que ali se ergue. Atrás daquelas paredes em ruínas tanto se escondem histórias de amor como episódios trágicos com um final surpreendente. Numa certa noite, o comandante Batista de Carvalho juntou um grupo de amigos e familiares para uma festa. A meio do jantar levantou-se, dirigiu-se ao quarto, pegou num revólver e suicidou-se. Não é caso único nas tragédias que assolam os lugares abandonados de Portugal. A 10 de Julho de 1957, a GNR avançou sobre a população do Colmeal, em Figueira de Castelo Rodrigo. Houve mortos, feridos e no fim da luta,  ninguém ficou na aldeia para contar a história.

O silêncio passou a ser o único habitante daquela que é apenas uma das muitas aldeias abandonadas de Portugal. Na quinta da Arealva, à beira Tejo, em Almada, ainda restam os armazéns, o cais e até os rótulos dos vinhos, negócio que, em 1757, trouxe os O'Neill para Portugal. A família viveu na quinta por várias gerações, mas a azáfama acabou por dar lugar ao vazio que ali perdura. De uma forma geral, somos surpreendidos com o que descobrimos. Neste livro, a jornalista Vanessa Fidalgo percorre o país de norte a sul e revela-nos a história de dezenas de lugares abandonados. Recupera personagens que os habitaram, as suas vivências, amores e desamores, os episódios que conferiram a esses locais uma alma e uma memória. São histórias de aldeias inteiras que, de um dia para o outro, ficaram abandonadas; de estações ferroviárias onde o apito dos comboios deixou de se ouvir; de mansões e palacetes em que o silêncio se instalou como uma herança maldita.

Descubra histórias de lugares abandonados no wookacontece, o blog literário da wook.

Lugares Abandonados de Portugal, Vanessa Fidalgo - Livro - WOOK

uma história [há locais onde se diz em tras os montes que é bom viver terem escapado à peste]: Os escassos registos históricos e demográficos que existem sobre o local falam de uma epidemia de febre tifóide ou paludismo, conforme escreveu Manuel Cardoso, em Lampaças e Ledra – Subsídios para história da região de Macedo de Cavaleiros. Alguns estudiosos debruçaram-se sobre o assunto, mas de acordo com a autarquia nunca nenhum conseguiu chegar a uma conclusão certa sobre o que tinha levado uma comunidade inteira para debaixo da terra.
Mas, curiosamente, este não é o único mistério daquela terra fantasma de Trás-os-Montes, uma região, aliás, sempre cheia de histórias para contar.
Em Vale da Porca, aldeia vizinha, conta-se que, há uns anos, um grupo de raparigas ia a pé para casa quando foram surpreendidas por uma alcateia de lobos ferozes. De repente, «a porta da capelinha de Santo Ambrósio (que fica às portas de Banzeres) abriu-se para as meninas entrarem, fechando-se de seguida. Só depois de os lobos passarem e já não haver qualquer perigo é que a porta voltou a abrir-se.» Enfim, lendas de um povo com alma de poeta!
(página 15 do livro de Vanessa Fidalgo, Lugares Abandonados de Portugal)

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

sobre o amor_ Love Comes From Loving, Not From Outside



É a Hora!: Fica sempre tudo por dizer: Partilho uma entrevista[paulo borges]  que me fez Joana Casado sobre o amor e onde abordo um dos meus temas: Amor ou Apego?



outra visão sobre o amor em inglês: Love Comes From Loving, Not From Outside


14 FEB 2017 | POSTED BY SURYA DAS | 0 COMMENT.
Valentine’s Day is one of my favorite times of year. The Tibetan New Year is also a favorite, and because the two often fall around the same time, I make a practice of reflecting upon New Year’s resolutions relating to my loved ones, and renewing my commitment to cultivating altruistic compassion and an unselfish open heart—the very essence of authentic love.

These resolutions encompass opening both my heart and mind; listening better; learning to forgive and love even those I dislike; and accepting and blessing the world, rather than fighting or feeing it. Through “co-meditating” with everything as it appears; through “inter-meditation” and interbeing with it—rather than against or apart from “it”—I am able to see through the illusion of separateness. I also remember those who may not feel included in this so-called day for lovers. As Zen Master Dogen says:

To study the Buddha Way is to be intimate with all things.” This is true love.



Many people have asked me, “How would Buddha love?” The Buddha saw every being, human and otherwise, as fundamentally like himself, and was thus able to treat and love them in the way all beings should be treated. We call this infinitely benevolent, selfless love the invaluable bodhichitta or the awakened heart, the very spirit and soul of enlightenment. One can find this taught elegantly in the Loving-Kindness Sutra, in Shantideva’s classic, The Way of the Bodhisattva, and in Atisha’s, Seven Points of Mind-Training and Attitude Transformation.

Through the transformative magic of bodhichitta, each relationship and every single encounter can be a vehicle for meaningful spiritual connection. Buddha taught that this altruistic bodhichitta, or spiritual love, has four active arms, known as the Four Boundless Heartitudes, or the Four Faces of Compassion.

So how can we love Buddha-style? By practicing impartiality to all, freeing ourselves from excessive attachment or false hope and expectation, and accepting, tolerating, and forgiving those around us.

Buddhist love is based on recognizing our fundamental interconnectedness and understanding that all beings are like ourselves in wanting and needing happiness, safety, fulfillment, meaning and connection—and not wanting pain, suffering and misery. The Dalai Lama says, “If you want to be wisely selfish, care for others.” All the happiness and virtue in this world comes from selflessness and generosity; all the sorrow from egotism, selfishness, hatred and greed.

The essence of Buddhist relationship is to cultivate the cling-free relationship, enriched with both warm caring and impartial equanimity. It is essential in intimate relationships to communicate honestly, stay present, tell the truth of your experience using I-statements (rather than accusations and judgments), and honor the other enough to show up with an open heart-mind ready to really listen, feel, and mutually interconnect.

Heated passion becomes warm, empathic compassion when we bring it into the sacred path, when we recognize every moment in life as a possibility of awakening and intimately embrace whatever arises in our field of experience. In that sense, human love and sexual consummation are like the tip of the iceberg of divine love, an ecstatic intimation of eternity, a portal to infinite depths of the groundlessness and limitless space that transports us beyond our limited, egoic selves, to bliss and oneness with all that lives.

People often ask me how to find their “soul mate,” or even if I believe in such a concept. I think that rather than focusing on finding the perfect mate in this world, we would generally do better to work on refining and developing ourselves. Make yourself the “perfect” mate, without being too perfectionistic about it, and you will be a good mate with almost anyone. When your heart is pure, your life and the entire world is pure.

We all feel the desire to possess and be possessed, to love and be loved, to connect and be seen, embraced, and belong. However, I think that the most important thing in being together is the tenderness of a good heart. If our relationships aren’t nurturing the growth and development of goodness of heart, openness, generosity, authenticity and intimate connection, they are not serving us or furthering a better world.

I have learned that to truly love people I need to let them be, and to love, accept and appreciate them as they are—free of my projections, expectations and illusions. This is equally true for loving and accepting oneself. When I peer deeply enough into someone’s heart and see the baby Buddha or innocent, inner child their grandparents and parents cradled oh-so-lovingly in their arms—and how, in that way, that are just like me—who would I harm, fear, resent, put down, persecute or exploit?

I notice that children let go of anger and would rather be happy than right, unlike so many of us adults. Staying present in this very moment, through mindful awareness and paying attention to what is—rather than dwelling on the past or future, or on who I think I am or imagine others to be—helps free me from excess baggage, anxiety and neurosis. This opens me to true love, Buddha’s love, Christ’s love.

As the song goes, love is all there is. Do you too hear this gentle music?

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Vida Serena, de Pedro Proença - Livro

 
14,31€
Sinopse
Aos 43 anos, Luís Pedro Proença, licenciado em direito e advogado, assume-se sobretudo como um apaixonado pela condição humana.
No início dos anos 90, um encontro fortuito com um mestre espiritual indiano num jardim de Genebra proporcionou-lhe um primeiro contacto com as filosofias e religiões orientais, e abriu caminho para uma lenta, mas irreversível revolução na forma de se ver a si próprio, de viver e de olhar o mundo que o rodeia. Quando Pedro Proença partilhou no programa de Fátima Lopes, na TVI, a faceta do homem espiritual, para além do advogado e do comentador televisivo, foi literalmente invadido por inúmeras mensagens de telespetadores curiosos sobre esta forma de estar na vida que lhe permite conciliar um quotidiano preenchido e intenso sem perder o equilíbrio e a paz de espírito, essenciais a quem quer ser feliz. Sob a orientação do seu mestre espiritual, entre avanços e recuos, e depois de contactos mais ou menos intensos com diversas religiões e culturas orientais, com principal ênfase no Hinduismo e no Budismo, o autor aprendeu que a essência mais preciosa do nosso Ser consiste na capacidade de escolhermos a realização pessoal em circunstâncias em que os outros optam pela loucura.

Nesta obra, Pedro Proença partilha cerca de 350 reflexões pessoais sobre a forma Zen que encontrou para a sua vida, revelando a sua vertente espiritual, fruto do contacto de duas décadas com o Budismo Zen e da prática diária da meditação Vipassana. Hoje em dia o autor identifica-se sobretudo com as tendências laicizantes do Budismo Zen, visto sobretudo como forma de estar na Vida, assumindo que todo o ser humano encerra em si o potencial para poder passar para um patamar superior do ser.

Vida Serena, Luís Pedro Proença - Livro - WOOK

ver entrevista na TVI aqui

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

livro 2017: Pape François parle avec D. Wolton

amazon _Pendant un an, le pape François a accordé douze entretiens à l’intellectuel français Dominique Wolton. Fruit de ces rencontres humaines et chaleureuses, ce dialogue exceptionnel et inédit aborde en toute liberté les grands sujets de notre temps et de l’existence humaine : la paix et la guerre, la politique et les religions, la mondialisation et la diversité culturelle, les fondamentalismes et la laïcité, l’Europe et les migrants, l’écologie, les inégalités dans le monde, l’œcuménisme et le dialogue interreligieux, l’individu, la famille, l’altérité, le temps, la confiance et la joie.  

Les auteurs

Jorge Mario Bergoglio, archevêque de Buenos Aires, a été élu pape sous le nom de François le 11 mars 2013. Il est le premier pape jésuite et latino-américain de l’histoire de l’Église.
Dominique Wolton est directeur de recherche au CNRS. Il est le fondateur et le directeur de la revue internationale Hermès (CNRS Éditions) depuis 1988, et président du Conseil éthique de la publicité (ARPP). Dans la communication, il privilégie l’homme et la politique par rapport à la technique et à l’économie. Il est l’auteur d’une trentaine d’ouvrages, traduits en vingt langues, dont Penser la communication (Flammarion), Indiscipliné. La communication, les hommes et la politique (Odile Jacob), et les livres d’entretiens Le Spectateur engagé, avec Raymond Aron, et Le Choix de Dieu, avec Mgr Jean-Marie Lustiger.


O Papa Francisco revelou,que teve sessões de psicanálise durante seis meses quando era mais novo, décadas antes de chegar a Papa, na altura em que tinha 42 anos (entre 1978 e 1979) e dirigia a ordem jesuíta da Argentina, sua terra natal. “Ajudou-me muito num momento da minha vida em que precisava de consultas”.

“Durante seis meses fui a casa dela [da psicanalista] uma vez por semana para esclarecer algumas coisas. Ela era médica e psicanalista. Estava sempre presente”, confessou ao sociólogo francês Dominique Wolton. “Depois, antes de morrer, ela ligou-me” para um “diálogo espiritual”. “Era uma boa pessoa”, conclui.

Agora, aos 81 anos, sente-se livre: “Claro que vivo numa gaiola no Vaticano, mas não espiritualmente. Nada me assusta.”

A conversa surgiu depois de falar na importância dos papéis femininos na sua vida, como a sua mãe e as suas duas avós — e falou também de namoradas do tempo da sua adolescência. “Agradeço a Deus por ter tido estas mulheres verdadeiras na minha vida”, diz.

No livro, além da revelação sobre as consultas de psicanálise na capital argentina de Buenos Aires, o Papa recorda ainda a sua infância e o seu percurso de vida até se tornar chefe supremo da Igreja Católica. Mas também fala da guerra, de questões políticas e culturais, assim como do divórcio, de ecologia e da globalização.