segunda-feira, 31 de março de 2008

chagdud tulku - mantras pelo tibete

Nos anos 50 muitos Mestres tibetanos faziam muitas cerimónias religiosas para o maior numero de pessoas por exemplo Chagdud Tulku relata-nos isso na sua biografia "o senhor da dança"
“No lado sul do Tsangpo encontrei uma pequena casa de retiro na encosta de uma montanha. Eu a reformei e aumentei antes da chegada de Kenpo Dordje, depois fiz um niung-ne de dezesseis dias, uma prática que requer total jejum, incluindo não beber líqüidos, um dia sim, um dia não.
Antes de deixar Lhasa sugeri a Kenpo Dordje que uma boa maneira de aproveitar meu tempo em Kongpo seria fazer um retiro. A isso ele respondeu: “Não é o momento para fazer retiro. Agora você precisa ensinar, pois são os ensinamentos do Buda que mais irão beneficiar as pessoas nos tempos difíceis que estão por vir.” Pensando nisso, comecei a sair de minha casa de retiro para ensinar, dar iniciações e fazer cerimônias.
Com a aproximação do inverno, outro lama, Kham Uang Tulku, e eu fizemos um druptchen de Vajrakilaia, ou prática da “grande realização”. A deidade de meditação, Vajrakilaia, é uma expressão irada de compaixão e sabedoria. O praticante adota a atitude invencível de Vajrakilaia e usa as habilidades da meditação e do ritual para purificar completamente os venenos da ira, apego, ignorância, inveja e orgulho. Quando esses venenos internos são removidos, seus reflexos externos, que surgem como inimigos, doenças e circunstâncias ruins da existência ordinária, também são removidos.
Naquele momento, quando os tibetanos estavam sendo confrontados pelo exército chinês, os que de nós eram lamas precisavam levar os métodos de purificação ao maior número de pessoas possível. Não tínhamos esperança de que os conflitos violentos que varriam o Tibete Oriental e assolavam Lhasa pudessem agora ser evitados em Kongpo por meio de cerimônias religiosas, não importa quão poderosas. Em vez disso, esperávamos que, para as pessoas que participavam dessas cerimônias, as condições cármicas para vivenciar a violência pudessem ser purificadas. Esperávamos que pudessem ser capazes de lidar habilmente com as forças hostis da guerra, sem fazer surgir o ódio. Esperávamos que a virtude gerada nas cerimônias as protegesse, mas, se viesse a morte, que elas pudessem encontrar liberação.
Kenpo Dordje chegou de Lhasa depois da cerimônia de Vajrakilaia e ficou comigo, em minha casa de retiro, pelos seis meses seguintes. Os primeiros dezoitos meses em Kongpo foram profundamente gratificantes. Foi um tempo em que pude servir às pessoas e a meu venerável lama, e foi, naquela região, um tempo de paz relativa e de integridade cultural e religiosa.Na primavera, Kham Uang Tulku, três outros lamas e eu organizamos um druptchen de Guru Rinpoche ao qual compareceram centenas de pessoas. Juntos recitamos dez milhões de mantras de Guru Rinpoche. Apesar de não ter ficado claro na época, essa longa cerimônia marcou um momento decisivo para mim e para os outros quatro lamas. Os chineses temiam nossa habilidade de reunir tantas pessoas. Não acreditavam que nossa motivação fosse puramente religiosa, e tinham a paranóia de que pudéssemos nos organizar politicamente ou criar uma resistência militar. Não reagiram paranoicamente de imediato, mas, quando o fizeram, os outros lamas e eu tivemos que sair como raposas fugindo de caçadores. ” (p. 137-139) da ed. brasileira, em edição inglesa: "Lord of the dance" (p.130.131) padma publishing
Hoje também se reza pela paz - neste post do blog testemunho de monjes tibetanos.