terça-feira, 11 de março de 2008

interdependência - interdependent

Jigmé Khyentsé Rinpché -- "Para começar a compreender os mecanismos do karma e da interdependência, convém fazer a seguinte pergunta: quem percebe o mundo exterior? Aquele que quer ir até ao fundo das coisas deve trabalhar ao nível da interface onde se produz o impacto entre o mundo exterior e o espirito. Se não tivéssemos espirito, podia facilmente produzir-se um tremor de terra na Austrália que ser-nos-ia impossível de o conceber. O espirito serve de amplificador a todas as nossas percepções. É preciso que eu tenha visto, lido ou ouvido uma informação para que ela se torne real para mim, senão ela não existe.
O essencial quando falamos de karma e de interdependência – quer essas leis se apliquem ao mundo físico ou psíquico – não consiste tanto sem saber como elas funcionam mas o que elas representam para nós. Uma televisão que está à nossa frente, pode ter uma tecnologia muito avançada mas no que nos diz respeito, a lógica pratica desse aparelho resume-se a que podemos vê-lo, tocá-lo e ouvi-lo. Além disso, vemos o aparelho mas isso não quer dizer que o objecto físico se encontre nos nossos olhos, só a sua imagem se reflecte. A interface entre essa imagem e o nosso espirito é o elo onde se cria karma. Aliás, se o karma se encontra-se nos objectos, seria impossível de atingir a iluminação total como o Buda: teríamos que reduzir cada objecto, cada átomo do mundo exterior à vacuidade, e para isso não vejo outra solução que a bomba atómica... Como consequência, pouco importa a diferença entre o mundo físico e o mundo do espirito. Em que é que nos poderia ajudar conhecer os mecanismos subtis desta ou daquela máquina, mesmo se o próprio Buda nos viesse explicá-los? Tudo esta em saber como nós nos situamos em relação às diferenças situações. Acho os ensinamentos budistas essenciais pois eles são úteis e pragmáticos. Nunca encontraremos a resposta à pergunta “O que é a felicidade”, nas descobertas sobre a matéria, mesmo muito avançadas. Com feito, os factores de interdependência são infinitos. Não considerem a interdependência como uma entidade sobre a qual se pode atirar toda a responsabilidade. Saber como as coisas funcionam e porque (na origem) não é necessariamente útil, o que é útil é saber como podemos actuar em relação a elas. Pensar que compreendemos o funcionamento de um processo, muitas vezes, só faz aumentar o apego que lhe temos. É preciso mudar a nossa forma de ver as coisas, é essa a razão da história. Trata-se de trabalhar sobre o que liga o mundo das nossas percepções ao mundo exterior, trata-se de procurar o elo pratico, aquele que servirá a nossa demanda de felicidade e de liberdade. De que serve conhecer todas as leis da física, mesmo as mais subtis, se ficamos em pânico no momento da morte? O mesmo se passa com as nossas emoções: é preciso proteger aquelas que nos servem, abandonando aquelas que são um empecilho. A verdadeira função do ensinamento sobre os dozes elos interdependentes, que não creio ser útil pormenorizar aqui, é quebrar as fronteiras rígidas e habituais dos nossos processos mentais e afectivos. Nenhum processo tem necessidade de ser real e concreto para ser funcional. Mesmo ilusório, o importante é que possa auxiliar.
Reconhecer a interdependência ajuda muito aquele que deseja trabalhar sobre as emoções que lhe dão um problema e quer cultivar as emoções praticas. As emoções problemáticas, são aquelas que enfraquecem espirito e o tornam cada vez mais dependente de elementos exteriores.De facto, a interdependência diz muito simplesmente que nada existe de forma independente ou isolada. Aliás, nós sabemos muito bem que tudo está ligado: qualquer acção, qualquer estimulo, directo ou indirecto nos afecta. "

Check out this new site offering scientific information and buddhist inspiration as a response to global warming. It includes interviews with lamas, including Ringu Tulku Rinpoche, Dzigar Kongtrul Rinpoche and Ato Rinpoche, prayers of aspiration, and even video teachings. A great site. in http://interdependent.wordpress.com/