quarta-feira, 26 de março de 2008

Lama Tsong khapa


O fim da vida do Lama Tsong Khapa -- Tibete séc. XIV - 1357-1419


Um bafo forte saía-lhe das narinas e depois entrava nele e o seu rosto emagrecia, mas assim que morreu o seu rosto voltou a ficar cheio. Então uma luz entrou no seu corpo e o seu aspecto era o de um jovem filho de deuses.
Em seguida, a sua carne encolheu e o corpo ficou do tamanho de um embrião no seu primeiro estádio. Nunca tal coisa se vira.
Em vida tinha rugas, que se foram atenuando até não serem mais do que uma linha da espessura de um cabelo e, por fim, desapareceram totalmente.
Transformou-se num morro de luz cujo brilho nenhuns olhos podiam suportar.
Uns achavam que essa luz era de um amarelo-avermelhado, outros, de um amarelo pálido, outros ainda achavam que tinha o tom do ouro em ebulição.
Os que estavam a assistir compreenderam: o nosso Protector deixou-nos, e afligiram-se.
Não há palavras para descrever tais prodígios, pensaram; vimos, realmente, o corpo de um Deus. E esta ideia consolou-os.
Nunca na história houve um relato da transformação de um homem num jovem Deus. Só uma vez é dito que um pandita indiano chamado Gahayadara, que passou para o além em Kharog, encolheu tanto que ficou do tamanho de um rapazinho e que a sua carne também se tornou fresca e rosada como a de uma criança; mas nunca se tinha ouvido que tal coisa tivesse acontecido a um lama tibetano.

in: “Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro” , ed. Assirio e alvim,2ºedição, junho 2001