sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Senhor da Dança

Senhor da Dança --- estórias


Uma vez estávamos fazendo prática de Tara na antiga sala de meditação do Khadro Ling, onde hoje é o dormitório. Lembro que o telefone ficava bem na entrada do salão e apenas um pano nos separava do hall onde ele estava. Eu já havia percebido - para meu espanto - que o telefone sempre tocava no meio das práticas. Mais estranho ainda: alguém sempre saía correndo para atender! Na minha santa ignorância, comecei a achar que o telefone deveria ser desligado para não perturbar nossa meditação e já estava quase indo perguntar a alguém por que isso não era feito.

O Rinpoche, no entanto, sempre parecia adivinhar nossas inquietações. Justo naquela noite, ele tocou no assunto. Explicou que os telefonemas sempre deveriam ser atendidos, que nunca deveríamos deixar alguém sem resposta porque ali, naquele minuto, uma pessoa poderia estar fazendo uma conexão com o Darma. E, se não fosse atendida, ela poderia perder esta oportunidade e talvez nunca mais voltasse a se conectar. Compreendi, nessa ocasião, a máxima disponibilidade do nosso Guru, sua total abertura e interesse por nós.

O telefone continuou tocando em meio às práticas, alguém continuou saindo para atender e eu fiquei grato ao Rinpoche por mais esta lição de compaixão.

[Contada por Eduardo Guagliardi]