quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

o médico ideal

Devido à crise o médico Nuno Grande já deixou de ter uma crónica regular no JN e aqui lembro uma das suas crónicas sobre o ideal do médico e de qualquer profissional de saúde: o respeito pelo doente. " o doente é mais importante que a doença".  
Na medecina chinesa o médico é pago por manter o paciente são, se ele ficar doente , n recebe nada_ algo q subscrevo. Ouvir ontem num debate que os medicamentos podem manter a doença em vez de curar, dá q pensar. 

Na actividade profissional, o médico, particularmente o de Clínica Geral, tem que avaliar as características humanas de cada doente. Como escreveu Osler, o pai da medicina clínica moderna, o doente é mais importante que a doença que, eventualmente o incomoda.

Ora, a condição humana caracteriza-se pela individualidade irrepetível de cada personalidade, pelo circunstancialismo da existência e pela complementaridade de todos os seres humanos.

De facto, cada um é ele próprio e a sua circunstância, como disse Ortega y Gasset, o que significa sermos cópias únicas de um discurso que se repete desde o tempo antes do tempo. Mesmo com a clonagem todos os seres humanos são únicos transportando uma história de vida que o caracteriza.

O conhecimento e o respeito desta individualidade são factor determinante da qualidade da relação do médico com o doente.

Mas a família a que o doente pertence é uma circunstância fundamental para o reconhecimento dos saberes, valores e costumes que lhe definem a respectiva identidade. Por isso, a medicina de família é a que tem maior afinidade cultural com os portugueses. O médico de família é capaz de compreender em cada doente as formas singulares de relação com a doença, ajudando-o a vencer a tensão provocada pelo anonimato, pela solidão e pelo sofrimento físico e emocional, imposta pela situação clínica, particularmente se exige internamento.

O medo do anonimato está relacionado com a identidade pessoal, mas também com a razão que o leva a procurar o médico.  aqui

O medo da solidão resulta da necessidade de sentir os outros interessados na história que o caracteriza em cada momento. A indiferença é mais penosa quando vivida no meio dos outros.

O medo do sofrimento tem implícito o medo da morte, mas é por vezes mais angustiante se traduz viver com perda da auto-estima.

O clínico geral tem o papel fundamental de representar o doente que nele confia face aos restantes componentes, profissionais de Saúde e burocratas, do Sistema de Saúde.

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