quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

partir em silêncio - África

gostei de ler hoje este post -- por um lado é bom partir em silêncio, sem remorsos.

Há homens que partem em silêncio apesar de terem realizado feitos gloriosos. Francisco Frias de Barros, engenheiro geógrafo, faleceu recentemente, e em total silêncio mediático. O mesmo silêncio que o encerrou a ele e aos seus camaradas de ofício, apesar de terem sido a última geração da grande aventura terrestre africana. Na verdade, é um pouco absurdo ver os americanos a reproduzirem em Hollywood os fantásticos feitos de Mason, Dixon, Burton, Stanley e Livingstone, com o apoio sempre discreto da Coroa inglesa, quando por cá um punhado de bravos fez o mesmo e muito mais a partir do século, como testemunha, detalhadamente, "Viagens de exploração terrestre dos portugueses em África", de Maria Manuela Madeira Santos, uma pérola sequestrada nas prateleiras dos alfarrabistas. Foi um pouco atrás da reconstrução desta aventura que há uns anos fui incomodar Frias de Barros, num gabinete silencioso esquecido em Belém. Foram uns dias bem passados, já que facilmente fui contaminado por aquela história. Apesar da sua idade, Frias de Barros tinha uma boa memória, e uma compreensão fácil para a partilha do detalhe que uma boa história exige. E, por outro lado, o gabinete e salas adjacentes guardavam todo o material da aventura, inclusive as notas de campo, o que é uma espécie de tesouro. A epopeia destes homens é na essência simples: andaram nas latitudes desconhecidas de Angola e Moçambique a retirar coordenadas para o império ter um mapa do seu território. Fizeram - no e isso é extraordinário. no blog  

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