quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

tecido_papel (1)



No natal de 2009 a Amazon vendeu mais livros digitais do que de papel. O que representa uma etapa decisiva na história da humanidade, pois significa que o digital se tornou comum a uma maioria. O digital liga-nos e divide-nos. A forma que tomar decidirá o futuro da partilha da informação.
Cada vez que uma sociedade humana mudou a forma como produzia, armazenava e difundia a informação, grandes mudanças aconteceram. A invenção da escrita, a tipografia de Gutenberg, mas o que seria a escrita sem o seu suporte material? Sem o tecido e o papel matérias primeiras da humanidade? 
O tecido une. Tingido declara a suas emoções, distingue. O tecido em contacto com a pele, sabe dos nossos movimentos íntimos. Os tecidos de oração ligam-nos ao divino. 
O papel está tambem presente nas nossas vidas: cobre alimentos, recolhe os nossos pensamentos embrionários ou autoridade imprimida, apoia os relatos identitários, um grupo familiar, uma sociedade ou uma nação. Ao papel regressamos para nos garantirmos do que foi dito.
O tecido e o papel são os motores do progresso industrial codificando gerações. O jean é disso exemplo assim como o lento desapareciemnto do papel e a sua substituição pelo mail e redes sociais.
O tecido e o papel tornam o mundo compreenssivel: os dois nos ensinam a pensar as dores, as separações, os envolvimentos, as protecções, a memória_ são espelhos sensiveis do tempo que passa, das nossas emoções, e dos nossos pensamentos. Eles são por excelência preciosos, oferecem-nos metáforas para pensar o mundo e o humano.

Criamos docs das nossas vidas com os updates de FB, twitter e google buzz. O digital é para nós uma mémoria individual e colectiva, e daqui a uma geração, essas memórias  individuais serão os sótãos em que as nossas crianças irão procurar os sinais de vida dos seus antepassados. 
O mesmo acontece com as imagens em que os imaginários são re-contruidos, dando nascimento a "outros-eu" que percorrem as redes sociais_ um ex é o lipdub  usado pelos estudantes universitários.


Tentar parar o tempo é absurdo, mas no fundo sabemos que por muito que o papel\digital nos dê é o tecido_ o toque da vida que perpetua a vida em link masculino\ feminino_ digo eu. 



palavras minhas a partir de um texto do psicólogo françês Yann Leroux_2009 com a devida autorização do autor_imagem ADN google e a alice do expresso.