sábado, 1 de maio de 2010

o bom da soja

Celeiro-Dieta

http://www.celeiro-dieta.pt/


A origem da soja, como alimento, remonta a mais de 4000 anos. É um dos produtos alimentares base dos povos orientais, não só por questões religiosas e/ou culturais, mas também e, sobretudo, económicas. Quer na China quer no Japão, a importância que lhe é atribuída é enorme, a ponto de ser classificada como uma das "cinco sementes sagradas" (as outras quatro eram a cevada, o arroz, o trigo e o milho painço).

Do ponto de vista alimentar, as qualidades e as vantagens do consumo da soja são tão significativas, que esta leguminosa passou a desempenhar um papel cada vez mais importante na alimentação humana (no último biénio o consumo de soja aumentou acentuadamente ).

Várias questões se têm levantado em relação aos hábitos alimentares ocidentais. O aumento assustador das doenças cardiovasculares, que se reconhece estar cada vez mais estreitamente relacionado com o consumo exagerado de carne e/ou dos seus derivados contendo elevados teores de colesterol, foi um dos principais factores que levou à procura de alternativas alimentares às fontes de proteínas animais. Entretanto, um outro factor que veio contribuir para o evoluir da situação: a doença das "vacas loucas" ou BSE.

Mas afinal quais as são as características da soja que a tornam tão "atraente"? De uma forma resumida podemos apontar, como mais importantes, as seguintes:

  • A soja é um produto 100% vegetal;
  • À semelhança da carne, a soja é rica em proteínas e daí ser muitas vezes chamada "carne da terra" ou "carne vegetal" (cada 100g de grão de soja tem cerca de 32,8g de proteínas completas contendo todos os aminoácidos essenciais que o nosso organismo não é capaz de sintetizar);
  • Contrariamente ao que sucede com a carne e outros produtos de origem animal, a soja não contém colesterol, pelo que o seu consumo ganha peso numa alimentação preventiva das doenças cardiovasculares;
  • O grão de soja é rico em ácidos gordos poli-insaturados;
  • A soja contém elevado teor de fibras alimentares importantes para o bom funcionamento intestinal;
  • No grão de soja estão presentes sais minerais e vitaminas;
  • A soja contém lecitina, substância importante para o nosso organismo ao nível da célula nervosa e benéfica para o metabolismo do colesterol;
  • Da soja também se obtem o chamado "leite de soja", alternativa importante para quem é alérgico ao leite de vaca ou quem não o quer ingerir.


Mas para além destas inúmeras vantagens, foram feitos recentemente estudos, cujas conclusões tendem a associar o consumo de soja a uma diminuição de certas doenças. Por exemplo, verificou-se que nos povos orientais, comparativamente aos seus congéneres australianos, havia uma menor incidência de osteoporose e de cancros da mama e da próstata. Pensa-se, que tal se deve à maior ingestão, por parte dos primeiros, de peixe, legumes frescos, fruta e, principalmente, de produtos à base de soja, contrariamente ao que faziam os australianos, cuja alimentação incluia grandes quantidades de carne e gorduras animais. Tal discrepância parece dever-se à elevada quantidade de fito-esterogénos presentes nos grãos de soja.

Desde o "leite" à salsicha - a escolha é variada!

Para além da farinha, pães, bolos e massas enriquecidos com soja, já começam a ter bastante divulgação outros produtos mais elaborados, que permitem variar as refeições sem recorrer a produtos de origem animal. Estão neste caso os "hamburgers", enchidos diversos ("salsichas", "fiambre", "salame", etc. ), o tofu ( espécie de queijo de soja feito por coagulação das suas proteínas) e o "leite", em diversas variedades (simples, aromatizado, com suplementação de cálcio, biológico). Para os mais "gulosos" existem também sobremesas preparadas a partir da soja. De características mais tradicionais, outros produtos derivados da soja, típicamente orientais, são o molho de soja, o miso e o tempeth.

E, para ajudar os mais inexperientes na arte de cozinhar da soja, é possível encontrar livros de receitas no mercado que podem auxiliar num primeiro contacto.

Depois, dê largas à sua imaginação e ao seu gosto pessoal ! Bom apetite. ...e com boa saúde!


Pedro Lôbo do Vale
Médico