segunda-feira, 5 de junho de 2017

breve encontro com Fernando Pessoa


 
Breve encontro com Fernando Pessoa
Por: Conceição Gomes
Escrevo sobre Fernando Pessoa "sorrindo com as palavras". Sendo de nacionalidade portuguesa é-me fácil respirar Pessoa e partilhar a mesma esperança num futuro generoso de matriz espiritual.

A cidade de Pessoa é Lisboa e "as ruas por vezes são livros". Gosto da cidade de lisboa onde vivi e que visito ainda hoje. Começo o passeio :
Café a Brasileira no Largo do Chiado, foi inaugurado em 1905 e o primeiro a importar café do Brasil, sendo Pessoa um cliente habitual, na esplanada está a sua estátua_ na Rua Garrett,120-22 Lisboa.


Café Restaurante Martinho da Arcada - Inaugurado em 1782 e situado sob as arcadas da Praça do Comércio, nº3, em frente ao rio Tejo. De todos os cafés que frequentou, o Martinho foi (sobretudo nos últimos dez anos da sua vida) quase uma segunda casa. Utilizava-o como um escritório de fim de tarde, onde escrevia, e se encontrava com os amigos mais íntimos, para aliviar a solidão. Aqui Pessoa, gostava de comer ou passar longas horas escrevendo.







acabo aqui o meu passeio nas colunas do Paço, que inspiravam F. Pessoa:
"Passo horas, às vezes no terreiro do paço,
à beira do rio, meditando em vão."
"Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser..."

"Que o mar com fim será grego ou romano:
o mar sem fim é português"



 
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O campo de Fernando Pessoa é o pastor da aldeia. Gosto da simplicidade de Alberto Caeiro, o Pessoa fã de nada, o "guardador de rebanhos" do campo que também visito e vivo.

O Guardador de Rebanhos
Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)
(Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/guardador.htm)
1 .Eu Nunca
Guardei
Rebanhos
Mas é como se os guardasse

Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e
a olhar.
Toda a paz da Natureza
sem gente.”

 

Este pastor-poeta foi traduzido em françes eincluido no livro: "Les plus beaux poèmes d´amour" ed. la renaissance du livre,  "Le pasteur amoreux". É estranho ler Pessoa em françês, o poema acaba com esta frase: "Je ne demande rien à personne, pas même à elle, sinon penser."
Dá gosto ver o nosso grande poeta ao lado de nomes como Apollinaire, Baudelaire, Coucteau, Éluard,
As ilustrações são de uma amiga, a Cecile Bretrand,e o livro termina com este poema de Serge Gainsbourg: "Je suis venu te dire que je m´envais". 
Rir e chorar --- são assim todas as estórias de amor - mas só quem nunca viveu uma as acha "ridículas". 
11/01/2007
nota do editor:
Les plus grands noms de la littérature et de la poésie ont écrit sur le thème éternel qu'est l'amour.

Cécile Bertrand illustre avec talent quelque 60 poèmes choisis parmi ces illustres auteurs du Moyen Âge à aujourd'hui : Apollinaire, Baudelaire, du Bellay, Brassens, Cocteau, Éluard, Ferré, Gainsbourg, Garcia-Lorca, Heine, Hugo, Maïakovsky, Pessoa, Prévert, Verlaine...

Par ses dessins très colorés, à la fois touchants et étonnants, Cécile Bertrand célèbre des textes qui ont traversé le temps pour raconter les mille et un visages de l'amour.

Extrait du livre :
Les roses de Saadi
Marceline Desbordes-Valmore [1786-1859]

J'ai voulu ce matin te rapporter des roses ;
Mais j'en avais tant pris dans mes ceintures closes
Que les noeuds trop serrés n'ont pu les contenir.

Les noeuds ont éclaté. Les roses envolées
Dans le vent, à la mer s'en sont toutes allées.
Elles ont suivi l'eau pour ne plus revenir ;

La vague en a paru rouge et comme enflammée.
Ce soir, ma robe encore en est toute embaumée...
Respires-en sur moi l'odorant souvenir.