quinta-feira, 9 de setembro de 2010

um simples mantra tibetano

com Jigmé Khyentse Rinpoché e Tulku Pema Wangyal Rinpoché



Lamp Offering Prayer
by the Predecessor of
Kyabje Trulshik Rinpoché


Thaye drowe münsel drönme te
These lamps dispelling the obscurations of infinite sentient beings
Döyön ngasok dungchur chöpai trin
As all that delights the five senses and clouds of myriad other offerings
Düsum seche gyelwa'i tsokla bül
Are presented to the assembly of Buddhas and their sons of the three times
Daksok tukje chendang mindrel shok
May we never be separated from the compassionate ones.

Om Mani Padme Hung Hri

Esta é uma prece que foi escrita pelo predecessor de Kyabje Trulshik Rinpoché. Cada vez que oferecemos uma vela, ou uma lamparina, ou até mesmo quando acendemos uma lâmpada, podemos recitar esta prece e desejar que todos os seres possam libertar-se de toda a forma de obscurecimentos.
 Se ao acendermos uma luz, e quisermos dizer esta prece, mas se acharmos que é muito longa para ser repetida, ou por a não sabermos de cor, podemos apenas recitar o mantra Om Mani Padme Hum Hri.
 Acender a luz e desejarmos oferecê-la a todos os Budas e Bodhisatvas, para que a infinitude dos seres sensíveis, possam ver removidos todos os seus obscurecimentos. E naturalmente que a oferenda dessa luz pode contribuir para a libertação dos outros, mas contribui fortemente para que nós próprios geremos o bom coração.
 E do mesmo modo quando fazemos acendemos uma lamparina, ou uma vela, por exemplo no nosso aniversário, nesse momento essa vela pode ser oferecida para o benefício da infinitude dos seres, para que possa dissipar os obscurecimentos de todos os seres, incluindo a pessoa que faz anos. O treino do Bodhisatva é tal que pretendemos utilizar todas as situações para a via.
Quando estamos felizes, queremos que todos os seres sejam felizes. Quando temos dificuldades, desejamos que estas dificuldades possam purificar e ajudar a ultrapassar todas as dificuldades dos outros seres. Isso dá-nos coragem, dá-nos confiança. Ajuda-nos a tornar-nos destemidos, sem medo. E por exemplo, quando abrimos uma porta consideramos que estamos a abrir a porta da liberdade. E quando fechamos a porta consideramos que estamos a fechar a porta dos mundos inferiores e dos sofrimentos de todos os seres. Por isso, tentamos integrar tudo o que fazemos integrar na via de modo a que possa contribuir para beneficiar todos os seres.
 Quando bebemos um copo de água, desejamos que todos os seres tenham acesso a água limpa, em especial que estamos a saborear um néctar, um elixir que dissipa e limpa todos os nossos conflitos interiores.
 Quando ingerimos comida, geramos gratidão a todos os seres que estão ligados à preparação dessa comida, e desejamos que todos tenham a boa fortuna de apreciar e suster a vida. E desta maneira contribuímos trazer todas as situações para a via.
 Cada vez que vamos acender uma lamparina, apesar de esta prece ter apenas quatro linhas, por vezes não ter o texto e então basta gerarmos um bom coração e lembrar o mantra Om Mani Padme Hung Hri.
 Sobre o mantra é abundante a literatura que o explica e são muito vastas as práticas que lhe estão ligadas. Mas em essência:

Om – simboliza a purificação do nosso corpo, palavra e espírito. De modo a podermos realizar a natureza última do nosso corpo palavra e espírito.

Mani significa jóia e Padme significa lótus. Jóia refere-se à coisa que é mais preciosa, que é a compaixão, e o lótus, o lótus imaculado que representa a sabedoria.

Para que o nosso corpo, palavra e mente possam ser livres, temos que nos desembaraçar dos obscurecimentos e dos conflitos, e para isso precisamos de desenvolver compaixão e sabedoria. E se o fizermos, o que acontecerá?

Hung, o resultado é que seremos completamente livre de todos os conflitos. A sílaba final Hri, é a sílaba que simboliza a grande compaixão.

A recitação de Om Mani Padme Hung Hri, de modo natural, confere uma grande protecção para todos os tipos de sofrimentos e causas de sofrimento. As seis sílabas ajudam a realizar a natureza da compaixão e sabedoria.

Escutar o mantra, é a libertação que se costuma dizer pela escuta. Vê-lo, é a libertação pela visão. É por isso que vemos no Tibete estas sílabas gravadas em pedra, e impressas em tecidos. As pessoas escrevem estas seis sílabas sobre um pedaço de papel, como protecção.
E pronunciar o mantra para os animais, se os animais poderem ouvir, ou se for dito para pessoas moribundas, isso vai protegê-las dos mundos inferiores e de alucinações aterradoras.Se tivermos um problema, em vez de ficarmos e desencorajados e deprimidos, podemos recitar um pouco estas seis sílabas do mantra e isso será de grande ajuda.