terça-feira, 21 de junho de 2011

um licor e regras monásticas

este belo texto conta-nos um pouco do quotidiano de 10 monges que vivem o silêncio, monges que são o contrário dos crocodilos que acabam tantas vezes em sapatos e cujas lágrimas são falsas. concluímos também que há preceitos intemporais e inelutáveis comuns a todos os seres humanos_ o silêncio e o céu generoso.

""Quase indistinto dos objectos e das imagens, imóvel, sentado, com o capuz a cobrir-lhe a cabeça, estava um monge velho, curvado. O prior apontou-me um lugar, fez-me gesto para esperar ali e saiu. O monge e eu ficámos a respirar. Foi então que o silêncio começou.Calcular a passagem do tempo dentro do silêncio é comparável a contar segundos pela chama de uma vela ou por um abraço. Semelhante a estes dois exemplos, também o silêncio transporta um sentido imperturbável que é maior do que o tempo que pode ser medido. Como se acontecesse noutro lugar, como se ignorasse os minutos e, assim, lhes subtraísse toda a força da sua importância. O silêncio não se deixa transformar por horas, dias ou séculos. Aquilo que o silêncio era em 1084, quando São Bruno fundou a Ordem da Cartuxa, continua a ser, hoje, o silêncio.
Eu sei que vão ler estas palavras e, a esses dez monges de Évora, quero expressar gratidão. Obrigado por aquilo que não se vê e por aquilo que não se diz. Obrigado também porque, agora, enquanto estamos aqui, eles estão lá, a fazerem-nos saber que “lá” é um lugar que existe.




Para uma visão curiosa de uma demanda espiritual monástica entre cátolicos e budistas pode ser útil a leitura deste livro em francês: "Le Dharma De Saint Benoit, de Patrick Henry ,2002,Wook.pt


A regra de S. Bento foi criada no séc.6 e a sua leitura pode interessar a leitores sedentos de espiritualidade num mundo demasiado materializado.Patrick Henry diz: "O primeiro sentido das palavras latinas e gregas, traduzidas pela palavra "regra" é "grade ou grelha". S. Bento não regulamentou a vida, ele estabeleceu um quadro sobre o qual a vida pode crescer. O ramo de uma planta que trepa por uma grade não o faz a seu belo prazer, apesar disso não podemos saber exactamente qual o caminho que ela vai fazer. A planta encontra o seu próprio caminho no interior da estrutura. O espaço em que se move é aberto, embora com limites. (p. 17)."

Em Portugal e cito: "houve várias edições da Regra em latim e português, sendo a primeira impressa em 1586 e a última em 1993 pelos Monges de SingevergaS. Tirso os únicos que a seguem. Ficaram, todavia, famosas as 16 pequeníssimas edições, quando, no terramoto de Lisboa (1755), o Mosteiro de S. Bento da Saúde, no meio das ruínas da cidade, com espanto geral, ficou intacto, passando a Regra a ser usada como talismã contra os terramotos e outros males. Por isso, S. Bento, o “S. Bentinho” da devoção popular, é tido, em Portugal, como advogado das coisas ruins, dos males desconhecidos e dos maus vizinhos, sendo a Medalha de S. Bento particularmente querida dos devotos."



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