quinta-feira, 24 de maio de 2012

gota a gota

@martine cornil

1. o oceano é composto de muitas gotas.nenhuma linha separa o meu passado, presente e futuro. hoje, na verdade, estou sã e bem. tenho o suficiente para comer e não estou em perigo. neste momento de tréguas, pratico acções salutares. claro que existem zonas de sombra no meu cérebro, no meu pais natal, no Brasil verde de esperança, e noutras geografias. como por acaso sou uma senhora idosa deixo a sombra como zona de investigação para os jovens.

2. as mulheres ou o feminino podem ser uma ajuda na vida, mas nem sempre de forma previsível. por vezes pensamos nas divindades como gentis e doces, mas se lermos entre as linhas as biografias de muitas delas no budismo tibetano: elas são teimosas, fogem às convenções da época e são indomáveis.

khadro chagdud [mestra no Brasil] conta-nos sobre uma irmã do seu esposo e mestre: "So they [os chineses] dragged her to jail, then released her the next morning, saying, “Get out of here, you crazy old woman!....She’s fierce one moment, and in the next, smiles with the delight of a little child. She loves perfumes and tiny baubles. I’ve never met anyone else whose emotions were so obvious or so changeable. She keeps a whole monastery of monks baffled.......I’ve had the opportunity to meet other great dakinis, including Khandro Tsering Chödrön, Sogyal Rinpoche’s aunt. She had a quality of totally transcendent sweetness and simplicity. Still, her real dakini quality is in the radiance of her spiritual realization, not some aspect of her personality."

3. para quem estiver interessado, em Fevereiro 2012 a fundação khyentse dedicou o seu número às mulheres budistas do passado e do presente.
 Prajnaparamita thangka by Tara Di Gesu for Elizabeth Mattis-Namgyel