terça-feira, 9 de outubro de 2012

o médico nuno grande deixou-nos ontem

foto do jornal publico


Foi um privilégio ter conhecido pessoalmente este grande médico cuja vida foi um exemplo para todos os que o conheceram. Salvou tantas vidas, fez tanto bem, deixou uma marca na sua época e especialmente em todos os que o conheceram. Uma boa viagem. até sempre.

"Natural de Vila Real, Nuno Lídio Pinto Rodrigues Grande formou-se em Medicina pela Universidade do Porto, com 19 valores, onde também se doutorou com a mesma classificação, foi fundador do Instituto de Ciências Biomédicas (ICBAS) Abel Salazar,
Enquanto militar, prestou serviço na antiga colónia de Angola, ficando ligado ao ensino da Medicina em Luanda.
Nuno Grande tornou-se membro do Painel de Conselheiros do Comité Científico da NATO, em 1989, e dirigiu a Comissão de Gestão do Instituto Nacional de Engenharia.
Foi condecorado pelo Governo Português com o grande oficialato da Ordem da Instrução." (Jornal de noticias)

Falei de nuno grande neste post em 2008 e que dizia:  "Mudanças foram prometidas no sistema educativo em Portugal e no entanto os estudantes portugueses continuam a ir estudar medicina para Santiago de Compostela, outros para a Républica dominicana e Républica checa....Tenho pena que não haja uma selecção vocacional, para que deixe de haver médicos que não acabam cursos, outros que entram na politica, e outros que envergonham a juramento de Hipocrates. Parece que bastam computadores para tudo se resolver....quem dera que asssim fosse ou então palavras dirigidas aos alunos: por favor, não chubem! E sem nostalgia penso nas grandes pessoas que temos e que à sua maneira tentam ensinar."

e em 2009 escreveu numa das suas crónicas sobre o ideal do médico e de qualquer profissional de saúde: o respeito pelo doente. " o doente é mais importante que a doença".  

Na actividade profissional, o médico, particularmente o de Clínica Geral, tem que avaliar as características humanas de cada doente. Como escreveu Osler, o pai da medicina clínica moderna, o doente é mais importante que a doença que, eventualmente o incomoda.
Ora, a condição humana caracteriza-se pela individualidade irrepetível de cada personalidade, pelo circunstancialismo da existência e pela complementaridade de todos os seres humanos.
De facto, cada um é ele próprio e a sua circunstância, como disse Ortega y Gasset, o que significa sermos cópias únicas de um discurso que se repete desde o tempo antes do tempo. Mesmo com a clonagem todos os seres humanos são únicos transportando uma história de vida que o caracteriza.
O conhecimento e o respeito desta individualidade são factor determinante da qualidade da relação do médico com o doente.
Mas a família a que o doente pertence é uma circunstância fundamental para o reconhecimento dos saberes, valores e costumes que lhe definem a respectiva identidade. Por isso, a medicina de família é a que tem maior afinidade cultural com os portugueses. O médico de família é capaz de compreender em cada doente as formas singulares de relação com a doença, ajudando-o a vencer a tensão provocada pelo anonimato, pela solidão e pelo sofrimento físico e emocional, imposta pela situação clínica, particularmente se exige internamento.
O medo do anonimato está relacionado com a identidade pessoal, mas também com a razão que o leva a procurar o médico.
O medo da solidão resulta da necessidade de sentir os outros interessados na história que o caracteriza em cada momento. A indiferença é mais penosa quando vivida no meio dos outros.
O medo do sofrimento tem implícito o medo da morte, mas é por vezes mais angustiante se traduz viver com perda da auto-estima.
O clínico geral tem o papel fundamental de representar o doente que nele confia face aos restantes componentes, profissionais de Saúde e burocratas, do Sistema de Saúde.