quarta-feira, 14 de outubro de 2015

morreu Oliver Sacks

 Oliver Sacks Neurologist and Author Explored the Brain’s Quirks escreveu em
"A minha geração está de saída e senti cada morte como um descolamento, um arrancar de uma parte de mim. Não haverá ninguém como nós quando desaparecermos, mas também não há ninguém igual a ninguém, nunca. Quando as pessoas morrem, elas não podem ser substituídas. Deixam buracos que não podem ser preenchidos, pois é o destino - o destino genético e neural - de cada ser humano ser um indivíduo único, para encontrar o seu próprio caminho, viver a sua própria vida, morrer a sua própria morte.

  "Há um mês sentia-me de boa saúde, de perfeita saúde mesmo. Aos 81 anos ainda nado mais de mil e quinhentos metros por dia. Mas a minha sorte acabou - há poucas semanas fiquei a saber que tenho múltiplas metástases no fígado. Há nove anos descobriu-se que eu tinha um tumor raro no olho, um melanoma ocular. Apesar de a radiação e o tratamento com laser terem acabado por me deixar cego desse olho, só em casos muito raros é que esses tumores metastizam. Eu estou entre os pouco afortunados 2%.

Sinto-me grato por me terem sido concedidos nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora estou cara a cara com a morte. O cancro ocupa um terço do meu fígado e, apesar de o seu avanço poder ser retardado, este tipo específico de cancro não pode ser detido.
Agora está na minha mão escolher como viver os meses que me restam. Tenho de viver da forma mais rica, mais profunda, mais produtiva que conseguir. A este respeito sinto-me encorajado pelas palavras de um dos meus filósofos favoritos, David Hume, que, ao saber que estava mortalmente doente aos 65 anos, escreveu uma autobiografia curta num único dia de abril de 1776. Deu--lhe o título de A Minha Vida.
"Antecipo agora um fim rápido", escreveu. "Padeci muito poucas dores com a minha doença; e o que é mais estranho, não obstante o grande declínio da minha pessoa, nunca sofri um momento de abatimento do meu espírito. Possuo o mesmo ardor de sempre no estudo e a mesma alegria na companhia dos outros."
Tive a sorte suficiente para viver para lá dos 80 e os 15 anos que me foram concedidos para além das seis dezenas e meia de Hume foram igualmente ricos em trabalho e em amor. Durante esse tempo publiquei cinco livros e terminei uma autobiografia (um pouco mais longa do que as poucas páginas de Hume) para ser publicada nesta primavera; tenho vários outros livros quase acabados.
Hume disse ainda: "Sou... um homem de disposição suave, de temperamento controlado, de um humor alegre, aberto e social, capaz de criar laços, mas pouco suscetível a inimizades e de grande moderação em todas as minhas paixões."
Aqui afasto-me de Hume. Apesar de ter vivido relacionamentos amorosos e amizades e não ter verdadeiras inimizades, não posso dizer (nem o dirá qualquer pessoa que me conheça) que sou um homem de disposição suave. Pelo contrário, sou um homem de disposição veemente, com violentos entusiasmos e extrema imoderação em todas as minhas paixões.
E, no entanto, uma linha do ensaio de Hume atinge-me como particularmente verdadeira: "É difícil ser-se mais desligado da vida do que eu sou neste momento", escreveu ele.
Durante os últimos dias fui capaz de ver a minha vida a partir de uma grande altitude, como uma espécie de paisagem, e com um sentido profundo da ligação de todas as suas partes. Isto não significa que a vida tenha acabado para mim.
Pelo contrário, sinto-me intensamente vivo e quero e espero que no tempo que me resta possa aprofundar as minhas amizades, dizer adeus àqueles que amo, escrever mais, viajar se tiver força para tal, atingir novos níveis de compreensão e discernimento.
Isso envolverá audácia, clareza e sinceridade; tentar acertar as minhas contas com o mundo. Mas haverá tempo, também, para me divertir (e até mesmo para algum disparate ainda).
Sinto, de repente, uma perspetiva e um objetivo claros. Não há tempo para nada que não o essencial. Tenho de me concentrar em mim, no meu trabalho e nos meus amigos. Já não verei o noticiário todas as noites. Já não prestarei qualquer atenção à política ou a debates sobre o aquecimento global.
Isto não é indiferença, mas antes desprendimento - ainda me preocupo profundamente com o Médio Oriente, o aquecimento global, a desigualdade crescente, mas estas coisas já não me dizem respeito; pertencem ao futuro. Alegro-me quando encontro jovens talentosos - até mesmo o que fez a biópsia e diagnosticou as minhas metástases. Sinto que o futuro está em boas mãos.
Nos últimos dez anos tornei-me cada vez mais consciente das mortes entre os meus contemporâneos. A minha geração está de saída e senti cada morte como um descolamento, um arrancar de uma parte de mim. Não haverá ninguém como nós quando desaparecermos, mas também não há ninguém igual a ninguém, nunca. Quando as pessoas morrem, elas não podem ser substituídas. Deixam buracos que não podem ser preenchidos, pois é o destino - o destino genético e neural - de cada ser humano ser um indivíduo único, para encontrar o seu próprio caminho, viver a sua própria vida, morrer a sua própria morte.
Não posso fingir que não tenho medo. Mas o meu sentimento predominante é o de gratidão. Eu amei e fui amado; foi-me dado muito e dei algo em troca; li e viajei e pensei e escrevi. Eu tive uma relação com o mundo, a relação especial entre escritores e leitores.
Acima de tudo, eu tenho sido um ser senciente, um animal pensante neste belo planeta e isso, por si só, tem sido um enorme privilégio e uma enorme aventura."



"A minha vida" - Globo - DN  


yogis

HUMKARA
HUMKARA _uma das encarnações anteriores de Dudjom Rinpoche (1004-1987)

Kukkuripa, The Dog Lover
The following is respectfully quoted from “Buddhist Masters of Enchantment” translated by Keith Dowman and illustrated by Robert Beer

Kukkuripa, The Dog Lover
Where conscious effort and striving are present
The Buddha is absent,
Thus, ritual and offerings are futile.
Within the peak experience of the guru’s grace
The Buddha is present,
But will the fortunate recipient see it?

In Kapilavastu there lived a Brahmin named Kukkuripa. Puzzling over the problems of existence, he came to place his trust in the Tantra, and in time chose the path of renunciation. He began his itinerate career by begging his way slowly toward the caves of Lumbini.
One day, on the road to the next town, he heard a soft whining in the underbrush. When he investigated, he found a young dog so starved she could no longer stand. Moved to pity, he picked her up and carried her with him on his long journey, sharing the contents of his begging bowl, and watching with delight as she began to grow strong and healthy.
By the time they arrived in Lumbini, Kukkuripa had become so accustomed to her affectionate, good-natured company that he could not imagine living without her. And so he searched for an empty cave large enough for them both. Every day, when he went out begging, she would stand guard, waiting patiently for his return.
So deeply involved was Kukkuripa in the continuous recitation of his mantra, that twelve years passed as quickly as one. Almost without realizing it, the yogin attained magical powers of prescience and divine insight. But the gods of the Thirty-three Sensual Heavens had taken notice. In fact, they were so impressed that they invited him to celebrate his achievements by visiting their paradise. Flattered, and amazed at their attentions, he accepted the invitation and embarked upon a ceaseless round of self-indulgent feasting and pleasure.
On earth, his faithful dog waited patiently for her master to return. Although she had to root around for whatever she could find to eat, she never strayed far from the cave. And, in truth, she was not forgotten. Despite his luxurious existence, Kukkuripa sorely missed his loving companion. Again and again he told the gods that he needed to return to the cave to care for her.
But his heavenly hosts urged him to stay, saying: “How can you even think about returning to a dog in a dark cave when you are enjoying our good favor and every luxury and comfort we can offer? Don’t be so foolish–remain with us here.” Time and time again, Kukkuripa allowed himself to be persuaded.
But one day when he looked down from the Thirty-three Heavens, he realized that his loyal dog was pining for him–her eyes were sad, he tail was drooped, and she was so thin he could see her ribs. Kukkuripa’s heart ached for her. Then and there he descended from paradise to rejoin her in the cave.
The dog leaped and pranced with joy when she caught sight of her beloved master. No sooner did he sit down and begin to scratch her favorite spot just behind the ears, than she vanished from sight! There before him, wreathed in a cloud of glory, stood a radiantly beautiful Dakini.
“Well done!” she cried, “Well done!” You have proved your worth by overcoming temptation. Now that you have returned, supreme power is yours. You have learned that the mundane power of the gods is delusory, for they still retain the notion of self. Theirs is the realm of fallible pleasure. But now your Dakini can grant you supreme realization–immaculate pleasure without end.”
Then she taught him how to achieve the symbolic union of skillful means and perfect insight. As an irreversible, infallible vision of immutability arose in his mindstream, he did indeed attain supreme realization.
Renowned as Guru Kukkuripa, the Dog Lover, he returned to Kapilavastu, where he lived a long life of selfless service. And in due time, he ascended to the Paradise of the Dakinis with a vast entourage of disciples.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

a “separação da sua terra” que foi vivida pela Virgem Maria.




Milhares de pessoas participaram na Missa conclusiva do Jubileu Mariano


Cidade do Vaticano, 09 set 2016 (Ecclesia) – O Papa afirmou hoje no Vaticano que os católicos devem respeitar os estrangeiros e aprender com eles, recordando que Jesus, a Virgem Maria e São José também foram estrangeiros, ao viver no Egito.
“Quantos estrangeiros, incluindo pessoas doutras religiões, nos dão exemplo de valores que nós, às vezes, esquecemos ou negligenciamos! É verdade; quem vive a nosso lado, talvez desprezado e marginalizado por ser estrangeiro, pode ensinar-nos como trilhar o caminho que o Senhor quer”, disse, na homilia da Missa do Jubileu Mariano, no Ano Santo extraordinário, a que presidiu na Praça de São Pedro.
Perante milhares de pessoas reunidas para a celebração, incluindo uma delegação do Santuário de Fátima, Francisco recordou a “separação da sua terra” que foi vivida pela Virgem Maria.
“Por muito tempo, também Ela foi estrangeira no Egito, vivendo longe de parentes e amigos. Mas a sua fé soube vencer as dificuldades”, assinalou.
“Conservemos intimamente esta fé simples da Santíssima Mãe de Deus; peçamos-Lhe a graça de saber voltar sempre a Jesus e dizer-Lhe o nosso obrigado pelos inúmeros benefícios da sua misericórdia”, acrescentou.
A homilia sublinhou o valor da oração de agradecimento e de louvor, bem como a necessidade de um “coração humilde” para acolher os dons de Deus.
Francisco recordou que Maria, “uma jovem simples de Nazaré”, não vivia nos palácios do poder e da riqueza.
“Interroguemo-nos se estamos dispostos a receber os dons de Deus ou preferimos antes fechar-nos nas seguranças materiais, nas seguranças intelectuais, nas seguranças dos nossos projetos”, pediu aos presentes.
O Jubileu Mariano começou na sexta-feira e contou com uma vigília de oração, este sábado, presidida pelo Papa.
OC

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