quarta-feira, 13 de abril de 2016

Emile Henry (1920-2007)




novembro de 1945_A morte Lenta: memórias dum sobrevivente de Buchenwald foi o primeiro e único livro publicado originalmente em português, na primeira pessoa, sobre uma história de vida nos Campos de Concentração do III Reich. Este livro, que a BNP não possuía, foi agora gentilmente oferecido à instituição pela filha do autor, Christine Henry, e é colocado em destaque quando se realiza em Lisboa uma conferência internacional e exposição no CCB sobre o tema do trabalho forçado durante a II Guerra Mundial.

Emile Henry,(1920-2007 com 87 anos) filho de comerciante que virá a ser nomeado futuro vice-cônsul francês na Ilha de Moçambique, ali nasceu em 1920. A família tinha decidido embarcar para África dois anos antes chegando à colónia portuguesa através de Zanzibar. O seu pai importava para a Europa produtos como a palma, os têxteis e outras matérias-primas. Aos 8 anos, Emile foi mandado estudar para um colégio interno em França. A ele se juntou anos mais tarde o seu irmão Bernard quando celebrou também a mesma idade. 

Passados alguns anos volta a Portugal para se reunir aos pais. Tempos depois a família regressa a França, mas em face da situação tensa a que se assiste então já na Europa, volta a Portugal para viver. Habitam em Lisboa e no Porto. Atleta na modalidade de remo, Emile está em Portugal quando foi apurado para os Jogos Olímpicos de 1940, inicialmente previstos para ocorrerem em Tóquio, e mais tarde em Helsínquia, mas que não se realizaram devido à eclosão da Guerra.Por ter a nacionalidade francesa foi compelido a regressar em 1941 a França para cumprir o serviço militar, tendo sido incorporado nos "Chasseurs Alpins" (Caçadores Alpinos).


Com a desmobilização do Exército no Armistício, no seguimento da invasão alemã do sul de França, em Novembro de 1942, muitos soldados dos "Chasseurs Alpins" tentam passar nos meses seguintes para Espanha para se juntarem à França Livre, ou “alimentarem os maquis”. Seria certamente o caso de Emile Henry, que em 8 de Abril de 1943 é preso a bordo do comboio que ligava Prades a Osséja, na fronteira franco-espanhola junto a Andorra, numa tentativa de travessia clandestina, com o apoio da Resistência, para regressar a Portugal ou para se juntar aos Generais De Gaulle ou Giraud.

Foi internado na prisão de Mont-Louis, e transferido pouco depois para Compiègne. A 25 de Junho de 1943 é deportado para Buchenwald, tendo sido libertado aquando da tomada do campo pelas tropas aliadas em 11 de Abril de 1945. A sua reconhecida boa compleição física de atleta olímpico ajudou certamente a suportar a austeridade extrema das condições do campo, a fome, a doença, e os maus tratos. Após quase 2 anos de internamento tinha, segundo informação da sua família, perdido 30 kg.
No final da guerra, viaja por França para visitar familiares e amigos. Em Cannes, onde vai encontrar a família que o tinha recebido antes de ser preso, vai comprometer-se com a jovem francesa Thérèse, filha desse casal de amigos, com quem casará anos mais tarde em Portugal.

Depois do final da guerra, Emile Henry escolheu Portugal para viver. Primeiro no Porto e depois em Loulé, onde habitou cerca de 30 anos, até ao seu falecimento, em 2007. Apesar de ter sido várias vezes convidado a falar publicamente dessa terrível experiência, nomeadamente para um documentário, por ocasião do Porto – Capital Europeia de Cultura (2001), em que poderia ter precisado dados e esclarecido hiatos temporais, nunca quis voltar a contar publicamente a sua história, pois dizia que "o que interessava saber estava no livro".
 

Por ter a nacionalidade francesa foi compelido a regressar em 1941 a França para cumprir o serviço militar, tendo sido incorporado nos "Chasseurs Alpins" (Caçadores Alpinos).

Com a desmobilização do Exército no Armistício, no seguimento da invasão alemã do sul de França, em Novembro de 1942, muitos soldados dos "Chasseurs Alpins" tentam passar nos meses seguintes para Espanha para se juntarem à França Livre, ou “alimentarem os maquis”. Seria certamente o caso de Emile Henry, que em 8 de Abril de 1943 é preso a bordo do comboio que ligava Prades a Osséja, na fronteira franco-espanhola junto a Andorra, numa tentativa de travessia clandestina, com o apoio da Resistência, para regressar a Portugal ou para se juntar aos Generais De Gaulle ou Giraud.

Foi internado na prisão de Mont-Louis, e transferido pouco depois para Compiègne. A 25 de Junho de 1943 é deportado para Buchenwald, tendo sido libertado aquando da tomada do campo pelas tropas aliadas em 11 de Abril de 1945. A sua reconhecida boa compleição física de atleta olímpico ajudou certamente a suportar a austeridade extrema das condições do campo, a fome, a doença, e os maus tratos. Após quase 2 anos de internamento tinha, segundo informação da sua família, perdido 30 kg.


 No fim da guerra vai para Paris e, antes de voltar a Portugal, ainda tem tempo de se apaixonar. “Antes da guerra, o meu pai tinha trabalhado no Sul de França, num café. Os donos gostavam muito dele e, quando voltou, ofereceram-lhe um local para descansar. A minha mãe era filha deles”, relata Christine. Emile pediu-a em casamento, mas Thérèse, sete anos mais nova, demorou mais quatro a pensar. Somente em 1950 se casariam no Porto, onde nasceram as duas filhas.Christine, artista plástica de 59 anos, vive com a mãe em Loulé. Na mesma casa que o pai ocupou nos últimos 30 anos de vida. Foi a Buchenwald e visitou a floresta de faias que rodeia o campo. Lembrou-se de ter lido que, durante a guerra, o fumo dos crematórios tinha afastado os pássaros. E recriou-os numa exposição recente de homenagem ao pai, a que deu o título de “Birds”. Falava ele de Buchenwald? “Era um homem bem-disposto. Falava pouco, mas tinha pesadelos frequentes. Sonhava que estavam a bater-lhe, e a minha mãe tinha de o acordar. O tema nunca foi tabu, pairava entre nós. Se eu me queixasse do frio, o meu pai apenas dizia: ‘Tu não sabes o que é ter frio.’” Não era preciso mais.

No final da guerra Emile Henry tem certamente um enorme desejo, quase obsessão podemos dizer, de partilhar tudo o que viveu. A terrível experiência foi contada rapidamente, ainda em 1945, em livro, com data do mês de "Novembro", intitulado A Morte Lenta, e ilustrado com fotografias originais – "não editadas", acreditamos nós - que o autor solicitou directamente aos exércitos libertadores americano comandado pelo General Patton, e francês, conforme nos revela o editor. A obra tem o subtítulo Memórias dum Sobrevivente de Buchenwald, e é publicada pela Editorial Ibérica (Porto) do qual se conhecem pelo menos duas impressões de 100 exemplares cada. O prefaciador é Domingos Monteiro. link


Christine Henry e a mãe. 
disse um mestre budista: "estabeleçam cuidadosamente boas ligações de  interdependência" e para memória futura visite a expo: Esta sexta-feira, 8 de junho 2018 pelas 19h30, inaugura no Convento de Santo António, em Loulé, a Exposição “Birds”, de Christine Henry.


Ela faz, através de instalações, fotografia e pintura, uma homenagem aos milhares de homens que durante a II Guerra Mundial tudo fizeram para sobreviver num campo de prisioneiros.