terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Escovaria de Belomonte, na porta 34 da Rua de Belomonte, no Porto, acima do Douro e a dois passos da Ribeira,

 fabrica escovas à maneira tradicional: à mão, com agulha que cose com linha pequenos montes de pelo em buracos cravados na madeira e no metal. São pelos de cabra e de javali, de crina e rabo-­­de-cavalo, cerda de porco e uma fibra que sai de dentro de um cato mexicano e que é utilizada para escovas de lavar louça e de polir a cera dos móveis.
Rui Rodrigues é um deles. Recebe os pelos na pequena e antiga escovaria e trabalha-os à mão. São escovas para limpar sapatos e roupa, para lavar queijos, cogumelos e fruta, para dar brilho ao ouro, para maquinaria da indústria do calçado, do têxtil, da madeira, da fundição. Escovas para o banho, escovas esfoliantes e coça-gatos com pelo em arco para os bichos se roçarem e deixarem cair a penugem que não interessa. Vassouras só se fazem por encomenda com indicações precisas, ao gosto do cliente, com preços que podem chegar aos oitenta euros.
Rui sabe o peso da responsabilidade, a herança que nasceu com o avô da sua mulher, António da Silva, que começou a fazer vassouras em Massarelos, no Porto, logo que acabou a quarta classe. Fazia-as em casa e vendia-as aos vizinhos. Em 1950, mudou-se para a pequena Rua de Belomonte, onde permanece a loja-oficina, junto ao Largo de São Domingos, 33 metros quadrados com chão de cimento, maquinaria antiga, paredes que perdem tinta aqui e acolá.link

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